05 janeiro 2009

Tinha tato

Mas o olfato, esse era aprimorado

Cheirava muito, cheirava tudo

Os homens que entravam no ônibus cheirando a banho tomado

As mulheres que cheiravam ao cio

As crianças que cheiravam leite

Os velhos que cheiravam a cansaço

Os jovens que cheiravam a fogos de artifício.

Os perfumes me buscavam e me levavam

Ainda sinto o cheiro do queijo derretendo na pipoca quente

No Mirante enquanto apreciava o belo horizonte dos meus anos genuinos

Sinto o perfume natural dos cabelos do Hippie que é o pai dos meus dois filhos

O cheiro de placenta quando olhei nos olhos do meu primeiro filho pela primeira vez

O cheiro de escária das feridas da minha avó

O cheiro dos pulmões impregnados do meu pai

O cheiro dos olhos dolorosos da minha mãe quando chorava.

O cheiro do fígado com jiló no mercado central

O cheiro da maldição que o fazia suar.

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