22 setembro 2017

Marido de aluguel

Instale o chuveiro
Troque a lâmpada
Dê banho no cachorro
Arrume a antena
Me leve ao cinema
Equilibre a geladeira
Conserte o cabo da frigideira
Preciso de um filtro de linha
Trilho de cortina
De uma linda calcinha
Alinhe os pneus
Encomende novo espelho
Olhe a bucha da descarga do banheiro
Compre uma raquete para os pernilongos
Esfregue minhas costas no banho
Troque o tambor da fechadura
Verifique o óleo do motor
Me ajude a torcer o cobertor
Veja a borracha da panela de pressão
Me abrace de conchinha
Traga a furadeira
Pois em casa de mulher solteira
Um marido de mentira é sempre bem vindo.

Lúdico fluir

Eles chegaram juntos
Ficaram descalços
Ele pediu a bebida
Ela ligou a hidro
Troca de olhares ausentes
Cultivo para o estranho silêncio dela
Novidade para sua boca tagarela
Expectativas programadas
Partiram para o que realmente interessava
Ela permanecia muda,  de olhos fechados
Pensava nos panos de prato de molho
Na sua cadela lambendo água sanitária
Onde estaria aquele danado
E o vazamento da pia?
Quanto custaria um marido de aluguel?
Mercado promissor...
Ausência de concorrência...
Quanto um profissional cobra para tapar buracos?
O corpo da mulher é bem mais barato
O prefácio gerou súbita conclusão
O desfecho conforme esperado
Tudo era questão de opção.
De repente ela acorda com taquicardia
E pensa, preciso mesmo é de uma sauna!


20 setembro 2017

Sem riso

Amo fundo
Não peço
Não sei ser rasa
Voo alto
Me atiro com peso
Isso pesa
Até o corte das asas
Passeio pelo ralo
Atravesso o esgoto
Potabilizo
Para outras bocas
Potencializo
Para outros bicos
Sensibilizo
Para outros becos
Metabolizo
Com cevada


18 setembro 2017

Brincando com o Idealismo de Augusto dos Anjos


Menina de recado

Não te quero mais
Esqueça as viagens
As massagens
As sacagangens
Vai deixar saudade
Calado, pelado, barbeado
Não te quero mais
Suas verdades veladas
Minhas ilusões mal contadas
Maldição ter te encontrado
Meu amor virou piada
Na sua mesa de bar
Coração velho e cansado
Sujeito exagerado
Sem tempo para esperar
Não te quero mais
Êxtase na noitada
Seus pés de madrugada
Desculpa para algumas geladas
Levanta
Suas pernas aguentam
Suas palavras me violetam
Sei interpretá-las
Saia da mesa logo depois da refeição
Não peça licença
Chegou de ônibus
Parta de moto
Assim somes mais rápido
Eu trancarei meu portão

12 setembro 2017

Verdades

Palite
Bactérias apaixonadas
Passeiam
Lá é cá
Dentes e copos
Áreas perfumadas
Um peito de pé

Palpite
Confissões exageradas
Saem
Dias, madrugada
Noites, tardes!
Mordida metabólica
Cuspe com vontade

Desiste
Nada de braçada
Toma caldo
Líquidos gemidos
Afogam
Fugazes são os sentidos