20 julho 2017

O próximo amor!

Se vier
Que venha leve
Seja meu, seja seu
Só não seja breve
Como a luz que nos atravessa fugaz

Quando vier
Que eu me encante
Emende meus cobertores
Estabeleça conexões nos meus sentidos
Alimente meu tato e meu olfato
Adormeça em meu umbigo

Quando chegar
Que chegue devagar
Com a barba por fazer
Que vista um roupão e nada mais
Que me traga taças novas e vinhos velhos

Quando eu perceber
Vou plantá-lo na minha aorta
Adubá-lo com endorfina
Projetá-lo para minha retina
O próximo amor sou eu e não você!

11 julho 2017

Delírio de terça

Acordei com saudade
A solidão é burra
E não tem memória histórica
Escute sua mãe menina
Não inventa de se apaixonar de novo
De novo não, pelo mesmo homem não

Falando de amores
Do primeiro ao "quarto"
Que ordem lhe aplico?
Que venha sempre aos sábados me lembrar o que ainda existe de inacabado?

Dúvida cronológica
O último fora o "quinto"?
Quem sai do inferno quer visitar o céu
Que número te dou?
Que nota?
Que manota te pontuar

Em mais de uma década você esteve em tantas "posições"
Eu te encaixei em cada buraco, em todos os vazios
Tua capacidade esplêndida de reacender os comigos de mim
Perder peso e alçar novos vôos
Desde que sejas meu coroa piloto

Nem primeiro, nem quinto
Escreva sobre o próximo amor
Larga deste que come pelas beiradas
Sem lógica nem razão
Por ele vou colorir as paredes da sala. 

O quinto amor

Os opostos se atraem!
Quem inventou essa frase?
Mãos grandes, cheiro de mato
Macho,  matuto com pegada
Deu amor ao buscar um gelo
Dei para ele de primeira
Sem noção do preço no final das contas.

Ele queria ser pai, adora crianças
Amou meus filhos
Amou meus cílios
Meus mamilos de mãe cansada
Me amou nas madrugadas.

Tudo que não foi
Já não dói mais
Tudo que já se foi
Tudo que ele levou embora, jogou fora
Nada é por acaso
Um jeito manso, um gênio bravo
Um coração de elefante
Uma fome de cavalo
Meu amor foi pouco para saciá-lo.

Os opostos se atraem
Os opostos também traem
Mas ele ainda vai cansar de só flertar
Vai achar alguém para se encantar
Alguém com ele parecido
Pode até virar um bom marido, um homem para casar.
Será? 

05 julho 2017

Papo de mulher

Homem é um bicho complicado
Nasceu para ser servido e bem cuidado
Macho é macho
Tem que apreciar o sabor natural
Sem leite condensado
Um lençol novo
Um copo especial para aquela bebida
Um cheiro
Três cheiros
Dois vinhos
Um banho
Sabor oral do despertar
Contentamento matinal programado
Não prenda o elogio
Camisola nova cor neutra
Massagem nos pés
Não fale de futuro como quem precisa
Faça planos para o agora estendido
Um cheiro
Três cheiros
Dois vinhos
Um banho
Quatro viagens
Seja presente sem ser carente
Seja distante sem ser ausente
Entendeu amiga?
Se joga
Mete a cara
Esse cara é pra casar
Sintonia boa fica no ar

26 junho 2017

Cortes

Aquieta

Acende o fogo

Sobe uma cerveja

Pensa em outras coisas

Corta  dedo com a faca sem querer

Estraga o esmalte da unha que estava por fazer

Não é  mais grisalho  o cabelo que foi pintado hoje

Não será  quente o azulejo branco daquela parede da cozinha

Não teria lamentos se ela não fosse uma mulher inundada de sentimentos.

20 junho 2017

Amor placenta

De repente um sacode
E os ventos mudam a direção
Saem do conforto
Abandonam a segurança
Partem em busca da razão
Um dia triste
Uma semana interminável
Um mês para ser lembrado
Uma vida para ser reinventada
Nas paredes da cozinha
No chão da sala
Na beira do mar
Numa manhã cinzenta
Nas pedras da cachoeira
No beco sujo de poeira
Nas minhas três placentas
Em quantos cantos eu tive amor?



14 junho 2017

Nude

Homem barbado, bem dotado
Poderia até ser
Se eu ainda fosse a outra
A outra mulher que morava em mim
Em outra época ele seria até cobiçado
Mas as chamas
No poder do desejo puro
Caminham para serem brasas
Que prefere um desejo macio
Ao invés de um pau duro

31 maio 2017

Lembra de mim?

Longe dos olhos
Escreve, relembra
Cativa um dia
Assopra nostalgia
Há mais de uma década
Nesses ouvidos balzaquianos

O rugir dos anos
O ranger dos dentes
O arranhar das unhas
Não tenho outro
Amor em pedaços
Só essa saudade que acalma
Esses pés que se roçam sorridentes.

Aquele abraço

Perdi um pedaço bem no dia do abraço
Acordei ainda escuro
Sentia mas não vai o muro, que se erguia entre nós
Numa bela noite fria
Recém chegados da Bahia
Disse que tinha perdido o sono
Só que o amor já tinha outro dono
Muito antes de viajar
Foi o abraço derradeiro
Que assim como o primeiro aconteceu num sofá.

08 novembro 2016

Clavícula

Bateu saudade
Acidente com fraturas leves
Porém sinais graves de esquecimento
Bateu apagão geral
Um telefonema bambeou as pernas dela, mas precisava ser forte para caminhar até a padaria da esquina.
Caminhou...
Bateu medo
Mas pelo menos ele parecia bem
Como foi mesmo que chegaram ao hospital?
Seria uma carona do irmão
Uma vontade de abracá-lo forte para emendar seus ossos faturados
Que coisa
Doía nela também, como Pietá desnuda carregando um filho adulto nos braços
Coisas que machos supõem como seja
Noites ali permaneceriam
Sorte ou azar? Tinham as duas vertentes
Para ela era uma oportunidade de cuidar do seu amor
De mostrar que aguentava aquilo emuito mais
Mas as dimensões também mudam
Tudo é questão de ponto de vista.
Bateu a cabeça
e voltou ao normal