07 junho 2019

Aliás

Juntou seus cacos
Montou um caleidoscópio
Com cores  vibrantes
Que lembravam seus cortes
Andava a espreita
Cansada da espera
Aguardava as voltas
Embalava nas curvas
Tinha tudo
Inclusive imperfeições

05 junho 2019

Sem vírgulas

Éramos duas, ou melhor, éramos sete, somos muitas, com muitas caras e bocas e faces e responsas. Caralho! Quanta responsa. Quantas algemas e cintos e sintos e sintomas.
Quantas regras e limites e horários e operários e claviculários trancando portas que deveriam estar abertas.
Somos muitas, tendenciosamente surdas, mas não mudas, entendeu?
Já fomos mais, ou menos, ou continuamos a mesma coisa num tempo diferente, numa nova era, tecnológica e revolucionária e inovadora e emponderada e fodas para todas as vírgulas pois eu gosto mesmo é de trema.

04 novembro 2018

Fomes

Uma fome diferente
Um novo apetite
Um coração indigesto
Estava onde achava que repousaria
A antiga ideia do livre pertencimento
Numa roupagem diferente
Haja autoconhecimento!
Me mostra autocontrole

Aprendizado

Uns lampejos
Algumas memórias
Solitárias bactérias do bem
Aprendizado por observação
Observação da repetição
Aprendizado!
Levanta! Nem tudo se aprende deitado

28 junho 2018

Dicas astrológicas

A ferida estava aberta e eu nem sabia
Era um machucado pequeno
Daqueles que só doíam quando nele encostavam
Daqueles que também doem quando estão cicatrizando
A dor também faz parte do processo de cura
Dividindo espaço na ansiedade da espera
Observando o tempo moldar minha paciência
Com atenção astrológica às dicas:
Desconstrução para uma mudança Destruição para uma perda

Exercício de paciência


Escrevo com os dedos trêmulos
Leio com as pernas bambas
Espero e me preparo para o que já sei
Só não quero
Um vício humano
Desejo anímico
Escrevo para mim mesma
Me limito nos meus devaneios
Não controlo sentimentos
Mas controlo atitudes

Amar- Marília Pêra (Carlos Drummond de Andrade)