28 março 2016

Eu sentia mais

A culpa é de quem?
Dos quilos a mais
Dos anos a mais???
Também
A culpa é da sorte!
Que tive? Ou que não tenho?
A culpa é dos homens, que não são mais tão homens
Será que já foram?
Com menos idade o mundo era melhor
Ou somente o ponto de vista mudou.
Saudade de ninguém
Enquanto eu era gostosa tudo era lindo...
Não tem receitas
Não há remédios
Se sexualizar para mostrar que está por cima da carne seca?
Para fingir que sente o que não sente
Eu sinto porra!
Mas eu sentia mais.

14 janeiro 2016

Arnaldo! A solidão não me apavora mais

Arnaldo,
Ando lendo muito sobre as temáticas existenciais
Xicos carpinejares florbelam o jabor
São tantos os conflitos amorosos que perturbam os seres humanos,
Que perturbam nós mulheres em especial.
Discordo quando dizem que mulher é um bicho de sete cabeças
Eu acho que temos nove.
Mas você sabe que hoje eu sou um bicho de só duas cabeças,
Cabeça & Coração
Diminuir o número de cabeças não significa claramente que eu evoluí no quesito amor
Mas posso afirmar, até segunda ordem, que parei com a mania de querer um amor pra vida toda!
Parei com o vício de "ficar" pensando se ele daria para namorar;
De namorar pensando se vai dar para casar.
Projetei tanto as expectativas no futuro que nunca chegava
Naquilo que eu queria que fosse do meu jeito
Que esqueci de aproveitar o que estava fácil, ao alcance das minhas mãos e da minha boca.
Ah Arnaldo,meu encontro está marcado
E é comigo mesmo que eu quero me encontrar
Por que o Pellegrino me ensinou:
"O homem, quando jovem, é só, apesar de suas múltiplas experiências.
Ele pretende, nessa época, conformar a realidade com suas mãos, servindo-se dela, pois acredita que, ganhando o mundo, conseguirá ganhar-se a si próprio.
Acontece, entretanto, que nascemos para o encontro com o outro, e não o seu domínio. Encontrá-lo é perdê-lo, é contemplá-lo na sua libérrima existência, é respeitá-lo e amá-lo na sua total e gratuita inutilidade.
O começo da sabedoria consiste em perceber que temos e teremos as mãos vazias, na medida em que tenhamos ganho ou pretendamos ganhar o mundo.
Neste momento, a solidão nos atravessa como um dardo. É meio-dia em nossa vida, e a face do outro nos contempla como um enigma.
Feliz daquele que, ao meio-dia, se percebe em plena treva, pobre e nu. Este é o preço do encontro, do possível encontro com o outro. A construção de tal possibilidade passa a ser, desde então, o trabalho do homem que merece o seu nome."


11 janeiro 2016

Sabotando a saudade

Pulam as palavras dos olhos dessa menina
Saltita no cio da saudade
Quantos "s" meus ciúmes tem?
Um dia recebido com entusiasmo das pimentas vermelhas 
Encerrado com o amargor da sinceridade que eu tanto aprecio e almejo
A culpa é da melancolia ou da solidão?
É da lenha que me queima em brasas vivas
Sabotagem da minha vontade

Samba de domingo


Uma cozinha
Com as cores de Almodôvar
Alto verão, calor intenso
O frescor do fim de tarde
Fogão aceso, fogo no rabo
Eu ouvia Lô enquanto limpava a casa
Mas a trilha era diversa
"Sou um sapato velho
Mas se você quiser
Eu aqueço o frio
Dos seus pés"
Lavei a roupa nova
Ouvindo um samba velho
Um samba meu, só meu
Enquanto me imaginava sendo só dele
Num corpo só
"Se estiver acompanhado, esquece e vem
Se tiver hora marcada, esquece e vem
Venha ver a madrugada e o sol que vem
Que uma noite não é nada meu bem"

09 janeiro 2016

Convocação

Ah! Pára garota! Larga essa velha mania de elucidar os momentos como um retrô retrocesso, um mesmo filme visto por lentes diferentes, você já sabe que o final não será feliz, os melhores filmes também não tem.
Você não tem mais 19 anos para sentir uma paixão febril daquelas que cria expectivas.
Engole esse choro, apaga o pedaço do dia passível de convocações. Você está em segundo plano;
Sofrer não está nos seus planos.
Você não perdeu nada mulher,
Só ele perdeu uma noite de nova langerie.

26 dezembro 2015

O quarto amor

Poemas intermináveis
Frases inacabadas
Vai e volta
A vontade de falar do infindável contentamento em tê-lo por perto
Seja com ou sem roupa
A química perfeita
Atração de pedra bruta
Lapidada com os orgasmos nos becos fedorentos da cidade
Bem antes da primeira noite (dia)
Cada toque me viciava
Como quem usa um pouquinho com medo de ir até o final
Amor longe dos padrões
Paixão sustentável
Renova-se depois de uma década
Recebe essa colocação pela ordem cronológica dos meus desabores
E embora seja um, já teve várias colocações e ápices
Com meus 20 anos
Eu mau conseguia esperar o fim do dia
Para vê-lo e tê-lo dentro de mim
Como uma fome que só o amor dele alimentava
Mas não era só meu
Talves tenha sido por alguns dias de sol e mar
Filho e pai de várias poesias
Me arrancou muitas lágrimas de riso, choro e orgia
Esteve longe como um filme antigo que vale rever
Esteve perto como um clássico que não dá pra perder
Basta um beijo
Um sonho
Um velho íncubo
Uma velha ágata
Um toque
E as borboletas do meu estômago molham meu jardim florido.



Brincando

Renda preta solta e fresquinha
De Lycra, rosa chock, coladinha
Fio dental,estampada pequenininha
De algodão o médico diz que é bom
Antiga, traz lembranças
Nem sempre a gente liga
Usei as calcinhas velhas
Fiz lindas roupas de boneca para minha filha.

15 dezembro 2015

Outras épocas

Em outras épocas, uma bela noite de amor resultaria em qualquer comentário no dia seguinte!
Mulher gosta dessas coisas
Do reconhecimento da (boa?) performance sexual
Da atenção em mencionar detalhes que poderiam ser lembrados daqui algum tempo
Em outras épocas, eu não teria segurado um orgasmo só para estender o tempo de aproveitamento da sua pele abdominal
Um romantismo descabido, descabelado
Em outra época eu não permitiria a penetração
Por neura e por amarração
Mas aprendi com o tempo que é melhor evitar arrependimentos
Em outra época, eu lamentaria profundamente em ter que dormir sozinha
Exausta pelo esforço
Distante daquele conforto do sono genuíno e vigiado
Mas hoje, eu continuo lamentando
Só que sem me sentir usada

21 agosto 2015

Era uma vez Syr

Pêlos com mais de 40 anos
Cabeleira, barba com mais de um mês de idade
Cheiro novo, de banho recém tomado
Com a mesma amabilidade nos olhos que me escutam
Com a mesma tentação nos lábios que me acompanham na cerveja
Nada mudou
Só meu ponto de vista.

30 julho 2015

Os meninos de Brasília

É só ouvir os meninos de Brasília cantando que eu sinto tudo de novo
Aquele velho amor que sufoquei várias vezes com meu travesseiro
Volta agora como um fantasma que dança ao som dos anos 80.
Alma pelada, amor penado
Que é só meu, só meu e ninguém mais consegue imaginar
Quando fecho os olhos ele entra pela porta dos sonhos e lá eu o deixo ficar
As vezes é tão real que sinto sua respiração na minha bochecha
Um cafuné leve de dedos que colocam meus cabelos atrás da orelha
Um filme distante que eu assisto de camarote
Um romance do qual não faço parte
Difícil expulsar esse fantasma do vale da sombra da minha mente
Ele pousou no meu subconsciente
"É um solitário andar por entre a gente...
 É dor que desatina sem doer..."
No plano astral ele me persegue
Eu busco tocá-lo para arrumar a sobrancelha desarrumada
Afagar a barba por fazer
Só em sonhos fazemos o amor que nunca viemos a fazer.