30 maio 2012

Verídico

Vi um bichinho

Parecia uma Joaninha estampada

Gracioso, tinha asas

Ele se esbanjava no resquício de café que habitava

O fundo triste de um copo descartável

Industrializado pelos nossos anseios

Simpatizei, dei-lhe o nome de Cafeína

Pretinho e estampado.

Cafeína, entorpecido, saiu com muito custo

Após escalar as paredes do copo

Encontrou meu dedo como uma ponte

Capaz de tocar-me a alma

Permiti que ele passeasse entre pêlos e poros

Devagar o sentia como uma digital amiga.

Não o ví voando, embora tivesse asas

Cafeína deixou esse mundo antes de chegar ao meu ombro

Nunca alguém havia morrido em meus braços.

Um comentário:

O absurdista disse...

gosto de poemas assim, conseguindo profundidade diante da simplicidade. Curti.