14 janeiro 2016

Arnaldo! A solidão não me apavora mais

Arnaldo,
Ando lendo muito sobre as temáticas existenciais
Xicos carpinejares florbelam o jabor
São tantos os conflitos amorosos que perturbam os seres humanos,
Que perturbam nós mulheres em especial.
Discordo quando dizem que mulher é um bicho de sete cabeças
Eu acho que temos nove.
Mas você sabe que hoje eu sou um bicho de só duas cabeças,
Cabeça & Coração
Diminuir o número de cabeças não significa claramente que eu evoluí no quesito amor
Mas posso afirmar, até segunda ordem, que parei com a mania de querer um amor pra vida toda!
Parei com o vício de "ficar" pensando se ele daria para namorar;
De namorar pensando se vai dar para casar.
Projetei tanto as expectativas no futuro que nunca chegava
Naquilo que eu queria que fosse do meu jeito
Que esqueci de aproveitar o que estava fácil, ao alcance das minhas mãos e da minha boca.
Ah Arnaldo,meu encontro está marcado
E é comigo mesmo que eu quero me encontrar
Por que o Pellegrino me ensinou:
"O homem, quando jovem, é só, apesar de suas múltiplas experiências.
Ele pretende, nessa época, conformar a realidade com suas mãos, servindo-se dela, pois acredita que, ganhando o mundo, conseguirá ganhar-se a si próprio.
Acontece, entretanto, que nascemos para o encontro com o outro, e não o seu domínio. Encontrá-lo é perdê-lo, é contemplá-lo na sua libérrima existência, é respeitá-lo e amá-lo na sua total e gratuita inutilidade.
O começo da sabedoria consiste em perceber que temos e teremos as mãos vazias, na medida em que tenhamos ganho ou pretendamos ganhar o mundo.
Neste momento, a solidão nos atravessa como um dardo. É meio-dia em nossa vida, e a face do outro nos contempla como um enigma.
Feliz daquele que, ao meio-dia, se percebe em plena treva, pobre e nu. Este é o preço do encontro, do possível encontro com o outro. A construção de tal possibilidade passa a ser, desde então, o trabalho do homem que merece o seu nome."


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